segunda-feira, 15 de abril de 2013

Amor inacabado.

Encontro-me parada te olhando. Quase não sinto meus pés, não sinto as pessoas passando por mim, não sinto os outros me olhando. Fico apenas te olhando e pensando como pode existir um querer tão grande dentro de mim. Um querer sem fim. Quando penso que estou longe de você, que estou deixando de te querer, a vida te manda pra cá de volta e fico cruzando contigo no meio desses caminhos. E olhar pra você me dói tanto porque sinto que você também me quer. Sinto que a gente se quer, que do nosso quase romance  ficou algo inacabado. Ficou algum desejo alí no meio, alguma vontade, alguma esperança. Mas não temos coragem de assumirmos, não temos coragem de deixar nossos corações agirem. E te olhando fico imaginando como será seu beijo, o gosto dele, a sua boca tão pequena encostando na minha. Imagino tantas coisas que não cabem em mim.

Você me olha e me olha com um olhar diferente. É um olhar que me quer, mas que não pode. E fica remexendo minha cabeça, meus sentimentos, meu coração. Vai me deixando confusa e quando penso que passou percebo que nem acabou. A gente não devia desejar alguém e não ter um relacionamento com ela. A gente não devia ter medo de se entregar, ter medo que as coisas não caminhem. A gente devia se abraçar e reconhecermos que estamos perdendo o nosso tempo. Nós deveríamos ser um. Dói tanto te olhar e saber que não podemos nos tocar. Não podemos sentir o cheiro do outro, não podemos conversar, não podemos ser nada. Acho que nunca poderemos. E o mais interessante é que relacionamento inacabado sempre deixa uma marca, uma ferida aberta. E nós vamos relembrando de tudo que passou e abrimos mais ainda nossa ferida.

Você vai ser sempre você na minha vida. Você vai ser sempre aquele amor que não consegui falar, aquele amor que nunca me abraçou e sentiu meu coração palpitar, aquele amor que me fez sofrer inúmeras vezes mesmo sem saber. Você vai ser sempre o cara de quem vou lembrar por toda vida. Aquele cara que me faz sorrir, aquele cara que possui os olhos mais lindos do mundo inteiro. E vai ser sempre você. Acho que sempre terei a nossa relação como algo que nunca pôde ser, mas que em algum momento quase foi. Acho que sempre verei você como alguém que nunca vai deixar minha vida. Um amor inacabado.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Fim.

Talvez a gente tivesse dado certo ou talvez o fim foi o melhor para nós dois. Uma coisa que aprendi durante meu relacionamento com ele é que não devemos forçar algo que já está perdido. É duro ter que aceitar, mas quando uma pessoa não oferece mais um certo conforto é melhor deixar pra lá e seguir com a vida. Quando uma pessoa não te olha mais da mesma maneira, não te toca mais com tanto desejo ou apenas não te valoriza, acho que é hora de dizer adeus. É evidente que quem vive apaixonado não pensa dessa maneira, os apaixonados sempre arrumam uma desculpa, um buraco no meio daquela história só para dizer que ela tem um final feliz ou que há um sentimento (mesmo pequeno) rolando ainda por alí. Quando uma pessoa não serve para nós, nós sentimos, não somos enganados, algo dentro do nosso coração diz que não é aquele cara. Mas a gente insiste em se enganar e aceitar a tal situação da maneira que ela é. 

Ele foi a melhor e a pior experiência que tive na vida. Juro que depois da nossa relação prometi à mim mesma que jamais olharia pra um cara novamente, prometi que não queria mais conhecer ninguém e de repente me vi em um beco sem saída. Então, pude perceber que não mandamos em nosso coração, nós podemos prometer para os céus e terras que nunca mais nos apaixonaremos novamente, mas isso vai acontecer. Às vezes, acordo no meio da noite soluçando e com as lágrimas escorrendo pelo travesseiro. É saudade. Isso se chama saudade. Acordo de um sonho com ele e é duro colocar a mão no peito sabendo que não há mais ele. Não sei, sinto-me frágil depois, parece que encontrei um peso e coloquei em cima das minhas costas. Dói, é pesado, é um sufoco. Mas a melhor hora é quando passa. É um alívio, uma sensação de bem-estar. E foi assim que me senti quando ele deixou minha vida.

Claro que não me conformo porque nunca demos certo. Gostaria muito de fazer parte da vida dele, gostaria de viajar, de aproveitar meus dias ensolarados ao lado dele. Gostaria de ter conhecido as partes mais bonitas da cidade, de ter ido ao show da minha banda favorita e de ter feito ao menos uma carta. Gostaria que ele me segurasse na hora mais difícil e que prometesse amor eterno. Mas eu preciso entender que as coisas mudaram, as pessoas não são assim e eu devo parar de sonhar com tanta tolice. Não ache que amor é o que você assiste na televisão, amor de ficção é lindo, é romântico, triste, mas sempre termina bem. Na vida real não é assim. Quando você se joga na pessoa, demonstra tudo, mostra a sua melhor parte, ela simplesmente abre mão e vai embora. Quando você se permite apaixonar, pensa loucuras e diz que finalmente vai ser feliz, ela simplesmente te abandona.

Foi assim que aconteceu comigo e provavelmente irá acontecer várias vezes. O nosso coração sempre vai amar e (re)amar novamente. Sempre. Limpe a dor que há em você e siga em frente. Seguir em frente é o melhor remédio, eu ainda não sei como fazemos para seguir em frente, mas a gente segue. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"Curtição".

Tinha dez anos quando a minha amiga perguntou se eu gostava de alguém. Eu não sabia o que significava gostar de alguém. Eu nunca tinha parado para pensar sobre aquela pergunta. Eu tinha dez anos, poxa! O que eu podia entender sobre sentimentos? Mas logo que surgiu essa pergunta fui procurando alguém para gostar já que era moda namorar, ficar, beijar. Achei que para gostar de alguém eu precisava apontar e decidir que o meu amor estaria sendo exclusivamente para ele. E foi assim que comecei a gostar do primeiro cara. Eu não entendia nada sobre relacionamentos, sobre beijo de língua e sobre mãos dadas. Sentia um medo enorme, sentia medo de não ser boa o suficiente, de não fazer tudo certinho, de não saber o que conversar. Pensei que se colocasse um batom, uma roupa mais justa no corpo, um perfume doce ou qualquer outra coisa, o cara se apaixonaria por mim com mais agilidade. Com o passar do tempo fui percebendo que não adiantava. Nada estava funcionando. Ele não gostava de mim, estava apenas "curtindo" o nosso momento. "Curtindo" o que isso realmente significa?

Não dei certo com o primeiro carinha, é óbvio. Ele nunca soube reconhecer quão especial eu era, não soube achar a minha beleza interior, ele não se preocupava com os meus sonhos e com o meu futuro. E foi assim que percebi que não sou mulher para ser curtida. Eu não quero ser a curtição de alguém. Vejamos bem, chegamos à um nível onde as pessoas estão sendo totalmente descartáveis, estão sendo usadas e jogadas fora. Estamos servindo para taparmos a ferida aberta do coração do outro, para ser passatempo de alguém, para ser "curtição". Não sou careta, quem pensa assim não é careta. Sejamos honestos, o que o mundo se transformou? O que fizeram com as pessoas? O que fizeram com os beijos românticos? O que fizeram com o pedido de namoro? Sabe, não acho legal essa coisa toda de sairmos por aí apontando pessoas e querendo que elas sintam algo por nós. Não acho legal essa coisa de sairmos por aí e escolhermos uma pessoa para ser nosso motivo de curtição.

Sentimentos surgem e por mais que seja um passatempo nunca vai ser apenas um passatempo. As pessoas se apegam, gostam e amam. Sim, você pode bancar o durão o tempo inteiro e falar que amor não existe, mas existe uma coisa chamada: carência. E sim, somos escravos dela. Somos escravos dos nossos sentimentos.Quis que o segundo cara que apareceu na minha vida fosse diferente, mas ele foi exatamente como o primeiro. Ele me quis apenas para suprir aquela necessidade dele daquele momento. Mas não houve amor, não houve nem sequer uma química. É evidente que sentimos falta de ter alguém, mas não se permita ser usado, não se permita ser jogado fora. Você é muito mais do que aparenta ser, você não precisa ser a curtição de alguém. Você precisa aprender que o amor não é algo que apontamos e que escolhemos, não mendigue amor de ninguém. Amor mendigado não é amor verdadeiro.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

01- Devaneios de Maria.


Fico olhando para ele e tentando saber quais são as coisas que me prendem tanto naquele ser humano. Ele gosta de rock, curte Foo Fighters e jura que ouve Chico Buarque quando quer fazer uma reflexão sobre a vida, sobre o tempo passando e o amor. Ele jura que já amou. Ele, Mateus tenta virar os olhos de lado quando olho bem dentro, lá dentro dos seus olhos castanhos. E fico dando sorrisinhos tortos sem saber aonde aquele relacionamento ou aquela nossa relação irá nos levar. Não há um caminho certo, apenas sei que chegaremos a algum lugar, ou quem sabe, em nenhum lugar. Eu, Maria, sou uma pessoa simples. Tento sempre manter o coração ligado e não uso a cabeça, sigo sempre o meu coração. Gosto de Coldplay e choro ao ouvir músicas instrumentais. Sou agitada e detesto o tédio. Mateus adora sossego, adora silêncio, segundo ele, apreciando o silêncio podemos nos conhecer melhor. Conhecer a si mesmo. Mas ficamos horas olhando um para o outro e às vezes não sei o que estamos fazendo, eu quero abraça-lo, coloca-lo deitado no meu colo. Ele não quer, detesta qualquer manifestação de carinho. Mas eu continuo fazendo carinho na ponta dos dedos dos pés dele e sei que ele gosta, mas é que os homens tem medo desse tipo de coisa. Acho que não deve ser fácil um homem amar, Mateus diz que sou boba por acreditar nessas coisas de amor.

- Você devia ser menos boba, amor não existe. Existe um grande carinho, uma admiração, uma paixão. Mas amor? Não. – ele se ajeita na cadeira.

Não sei se devo continuar com uma pessoa assim, mas é que eu gosto tanto da maneira como ele segura minhas mãos na fila do cinema e gosto mais ainda quando sentamos para vermos um filme antigo na televisão velha da minha sala. Gosto da companhia dele e de todo aquele drama quando debatemos o que é melhor para o nosso futuro. E sejamos sinceros, não há futuro para nós dois.

Mateus é um cara agradável, educado e tem bom hálito. Não é do tipo que senta em uma mesa de bar e fica calado, tímido. Ele consegue prender todos com a sua conversa sobre livros de literatura e filmes antigos. Eu sou histérica, ciumenta e medrosa. Sinto medo de perder todas as coisas e pessoas que tenho no mundo, mas sou bem verdadeira com relação aos meus sentimentos. Eu sei o que sinto. As pessoas costumam me adorar porque tenho um jeito diferente de ser. Deve ser por isso que eu e Mateus nos conhecemos, sorrimos e fomos parar na cama dele. Era um dia nublado, o céu não sorria muito pra gente, mas eu fiquei feliz ao saber que deitei na cama de um homem que não me expulsou no meio da noite. Ele trouxe café da manhã na cama e perguntou se eu gostaria de tomar um banho. Tomar um banho na casa de um desconhecido era muito pra mim, não soube lidar com aquilo.

- Preciso ir embora, tenho alguns compromissos e divido o apartamento com uma amiga que não anda muito com a chave de lá. – falei sem jeito e com a mentira se espalhando pelo ar. Peguei a minha roupa e vesti sentindo um pouco de vergonha.

- Fica. – Mateus pede com firmeza. Pega em meu braço e me pede mais uma vez.

Não sei. Quando escutei aquela voz dele quase que sussurrando em meus ouvidos pensei que poderíamos ser algo. E acabei ficando. Fiquei e estou até agora.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Verdades sobre a vida.

Esqueceram de me avisar que crescer doía bastante. Esqueceram de me avisar que nem todos os relacionamentos dariam certo e que nem todas as pessoas carregam bondade dentro do coração. Esqueceram de me avisar que nem todos os amigos ficam juntos para sempre e que muitos seguem caminhos diferentes. Esqueceram de avisar que a gente sente muito medo quando se torna adulto. A gente sente medo de não ter futuro, de não ter um emprego digno, de não ter família, de não ter casa e roupa lavada, de não ter chá nos fins de tarde, de não ter abraços no dia do aniversário e de não ter telefonema antes de dormir. Esqueceram de me avisar que amor machuca, corrompe e que causa sérios danos. Esqueceram de me avisar que nossos pais nem sempre são os heróis que nós pensávamos que fossem. Esqueceram de me avisar tantas coisas que só pude saber agora.

Às vezes sinto como se a vida fosse um tapa bem no meio da nossa cara, e eu sei que ela é. Eu sei que é preciso ter muita coragem pra se viver nesse mundo tão complexo, difícil e com diferentes tipos de pessoas, de sentimentos. Seria muito mais fácil se todas as pessoas fossem boas, amassem de verdade e houvesse confiança. Seria muito mais fácil se a gente imaginasse como seria nosso futuro, planejasse e ele desse certo, fosse bem do jeitinho que imaginamos. Seria muito mais fácil se o número de sorrisos dados ocupassem as lágrimas que teimam em cair nos momentos tristes. Eu não me sinto pronta pra viver, pra lidar com as coisas pesadas que chegam. É preciso ter muito ombro pra carregar as nossas dores que machucam bem no meio do nosso peito. Eu quero sempre que tudo seja tão certinho, tão cheio de graça, mas acontece que tudo vem da pior maneira.

Não é novidade que ando decepcionada com os outros, com a vida, comigo mesma. Não é mais novidade que me sinto enganada, que sofro com a dor dos meus amigos e que ando cada vez mais carente, solitária. Vivo mendigando amor, acho que todas as mulheres passam por isso. Sabe, viver dói, viver requer muita coragem e não sei como consigo suportar todos os problemas que vão chegando. Sinto como se meu coração fosse arrancado e jogado fora sem piedade, é uma dor que só os meus olhos expressam. As lágrimas vão caindo e não sei o que fazer, qual caminho seguir, como curar essa dor. Mas, vou tentar levando a vida da maneira que ela vem. Acho que um dia seremos felizes. Acho.