quinta-feira, 19 de junho de 2014

Lições que tirei da vida

Você tem quinze anos e sua maior preocupação é "com que roupa devo sair amanhã?". Você não esquenta com nada, paquera os meninos mais gatos do colégio e tem praticamente uns quarenta amigos. Sim, considera todos eles seus amigos. Tem tempo pra tudo: ler, ouvir música, dormir a tarde, assistir séries, estudar, namorar, sair. Os seus pais não exigem tanto de ti, sua religião é banalizada e que tal provar um pouco mais de bebida quente? Algumas pessoas te chamam de imatura, mas você solta uma gargalhada e diz que é a pessoa mais madura do mundo. Aí você completa vinte anos, já tem entrado na faculdade e fica indecisa sobre o curso, mas aquela decisão precisa ser algo bem pensado. Já não há mais quarenta amigos, sobra uns dez e talvez, a bebida quente, tenha perdido seu gosto, é necessário algo mais forte ainda. Os paqueras mais gatos vão se tornando grandes idiotas, mas você ainda conhece vários homens que vão cortar o seu coração.

Seu tempo diminui. Os seus pais começam a cobrar, a responsabilidade chega. De repente, sua maior preocupação é "preciso arrumar um emprego". Sim, é preciso pagar as contas. Você começa a querer estar mais perto de Deus porque entende a necessidade de uma força maior, os seus livros estão jogados na estante e é desesperador saber que não tem tempo nem pra ouvir uma música. Não é fácil saber administrar tantas tarefas. Aquele cara quebra seu coração e é melhor partir pra outra, mas não é tão fácil esquecer de quem se gosta. De repente, tudo é motivo para ficar estressada. Você chora com tudo, quer desaparecer, pretende viajar e conhecer outras pessoas, mas infelizmente não pode.

Seu tempo diminui mais ainda. Os seus pais vão ficando velhos, cansados e jogam toda a responsabilidade pra cima dos seus ombros. Você está sozinha porque não consegue lidar com um relacionamento saudável, as pessoas estão banalizando o amor e aquilo te incomoda. Seus dez amigos somem, você conta nos dedos quem realmente ficou. As pessoas vão partindo, te deixando de lado e talvez nem seja culpa delas, mas a vida quer assim. Os seus livros estão empoeirados, sua música favorita te causa vontade de chorar, sua cabeça pesa, seus olhos vivem molhados de lágrimas de nostalgia. 

Se você também sente tudo isso, supere e tente ser sempre um alguém melhor. Separe tempo pra tudo. Não esqueça os bons e velhos amigos, ame seus pais e demonstre isso diariamente, não goste de alguém por gostar. Não queira estar em um relacionamento que não é um relacionamento. Assista seu filme favorito. Pratique o silêncio. Desligue o celular por um dia e fuja sem saber pra onde vai. Vá na frente do mar, observe cada onda que vem e que vai. Anote o nome de quem não te faz bem e jogue no lixo. Plante esperança no seu coração, pois a vida é passageira e se você não souber administrar o pouco tempo que tem, talvez seja tarde demais. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Há pessoas e coisas que não servem pra gente

Você sabe que aquele relacioamento não te faz bem, mas continua. Você sabe que aquela amizade já esfriou, mas tenta voltar como era antes. Você sabe que deve valorizar quem te valoriza, mas prefere ir nas pessoas erradas. Você sabe que precisa estudar pra conseguir ser alguém no futuro, mas prefere deixar os livros de lado e ficar nas redes sociais. Você sabe que precisa quebrar a cara pra aprender, mas continua no erro. Você sabe que tem coisas que não voltam mais, mas deseja o passado de volta. Tenho cortado laços. Tenho tirado pessoas da minha vida e substituído por outras. Não, você não pode substituir alguém, mas você sabe que deve se importar com quem se importa contigo. Tenho parado pra perceber muitas coisas e prefiro silenciar, vou guardando certas mágoas, certos momentos, mas tem uma hora que abro mão. E abrir mão dói, mas é necessário.

Tinha medo de arriscar, de ir em frente, de tirar pessoas da minha vida. Mas, precisei. Eu sabia que aquela relação não me levaria a lugar algum, mas eu gostava de saber que aquele alguém estava ali pra mim, mas, ele estava mesmo? Acho que o ser humano gosta de sofrer. A gente prefere arriscar em um relacionamento que a gente sabe que não vai adiante, mas só pra ter a consciência de que tem um apoio. Resolvi abrir mão e ficar sozinha. Sim, solitária. Sem falsas promessas, sem beijos, sem abraços demorados. Foquei em outro momento da minha vida. A gente sabe que aquela amizade já deu, mas acha que pode mudar tudo e transformar o outro. Não pode, algumas amizades precisam ir. Eu estou deixando partir quem não me considera ou não me faz bem.

Olha, a vida ensina e ela tem me proporcionado muitas emoções, mas minha cabeça tem mudado muito. Sabe aqueles conselhos que as nossas mães dão, mas a gente nunca ouve? Comecei a ouvir tudo e agora tá fazendo sentido. Há pessoas que simplesmente não servem pra gente.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ele não sabe nada sobre mim

Ele não sabe nada sobre mim. Ele não sabe o que espero da vida e quais são os meus medos. Ele não sabe que eu olho o contato do telefone dele e fico desejando sua presença perto de mim. Ele não sabe que tenho medo do escuro. Ele não sabe que prefiro sorvete derretido. Ele não sabe quais são as minhas músicas favoritas. Ele não sabe quais são os sonhos que tenho. Ele não sabe que sinto o cheiro dele em qualquer pessoa e nem sabe que o cheiro dele é o meu predileto. Ele não sabe o quanto me sinto só aos sábados. Ele não sabe que minha vida tem sido um peso. Ele não sabe que acabei desistindo dos homens, mas que ele tem algo de especial. Ele não sabe que escrevo para ele.

Ele não sabe e nem vai saber. No meio de tantas mudanças, empacotei algumas pessoas e coloquei dentro de caixas para que a vida levasse para longe, mas não tive coragem de empacotar o amor. Mesmo o amor sendo cruel comigo, me deixando chorosa aos domingos, eu não tive coragem de deixar você ir da minha vida. Já disse milhões de vezes que não sei seguir em frente e vou me apegando aos piores tipinhos de "caras" que aparecem no meu caminho. Sabe os que tem sorriso enganador? Eles são os meus favoritos. E quando eu choro, percebo que não tenho amor próprio. Quando a gente gosta de alguém esquece até de se amar. Mas, a partir do momento que você se premite ser usada por outra pessoa, permite que ela pise no seu coração e faça o que quiser.

Ele não sabe quantas vezes fui dormir com saudade. Ele não sabe quantas vezes deixei de me cuidar e quis cuidar dele. Ele não sabe quantas vezes quis o amor dele só pra mim. Ele não vai saber. Ele só merecia saber se quisesse algo comigo, se me amasse e cuidasse de mim. Sabe aquela panela velha que fica no fundo do armário? Uma panela que só é usada quando todas as outras estão sujas? Pronto! Ultimamente tenho sido a panela velha dele, ele só me quer quando não sobra mais ninguém.

sábado, 17 de maio de 2014

Sessão de terapia

Eu não sabia o que precisava falar, mas sabia que precisava dizer algo. As palavras estavam me sufocando e a necessidade de que elas saíssem da minha boca era grande. Entrei naquela sala enorme, um sofá e uma cadeira me esperavam. Na cadeira, o rapaz que parecia ser bem calmo me fitava com os olhos tentando adivinhar o que eu estava pensando. Sei que poderia dizer milhões de coisas, mas falei pra ele que me sentia sozinha. Ele não entendia como eu me sentia sozinha, se em uma hora de terapia eu falava sobre diversas pessoas. Mas sim, eu conseguia me sentir totalmente solitária. Falei sobre você e sobre a capacidade que você tinha de me deixar possessa e confusa sobre os meus próprios sentimentos. Sim, escolhi falar sobre você porque atualmente era com você que eu sonhava todas as noites. O terapeuta me perguntou se eu me sentia só porque não estávamos juntos, mas eu afrmei que não, não estarmos juntos era apenas consequência do que eu tinha escolhido. Pausa para o choro.

Ele me perguntou qual era o meu real problema e eu continuei dizendo: a solidão. Ele perguntou se eu tinha amigos e eu confirmei com a cabeça, mas dentro de mim não sabia se realmente tinha. Quis dizer que não estava só, que convivia diariamente com alguém, mas mesmo diante de algumas pessoas, eu me sentia perdida. As pessoas estavam me esvaziando, elas não sabiam me escutar. Em algumas sessões de terapia pude perceber que não sei seguir em frente. Pude descobrir isso quando lá no terceiro ano, sim, no terceiro ano do ensino médio, os meus amigos passaram no vestibular e seguiram em frente. Eu não, quis que tudo continuasse da mesma forma. Acontece que tem uma hora que a vida gira e tudo precisa mudar, mas não sei mudar. Quando finalmente aprendi, minha vida levou um rumo diferente, mas aí vieram as mudanças e eu também não sabia me acostumar com a nova fase.

Hoje em dia as pessoas estão partindo da minha vida. Aos poucos vou perdendo o contato e o interesse por alguns. Não queria que fosse assim, mas acho que preciso seguir em frente.


terça-feira, 6 de maio de 2014

O homem e a tecnologia

O alarme do celular despertava indicando que estava começando mais um dia. Ele se levantava, fitava o teto e pensava no dia que estava chegando. Sim, ele gostaria de permanecer para sempre deitado naquela cama quente. Escolhia uma roupa despojada, um casaco laranja, pegava seus fones de ouvido e escolhia a música mais melancólica. Fazia frio, o céu estava cinza. Enquanto ele caminhava, as pessoas passavam apressadas diante dele, ninguém reparava em nada. Com as mãos nos bolsos, o jovem escritor, escrevia histórias mirabolantes dentro da sua própria cabeça e dava sorrisinhos. Chegando ao trabalho, as pessoas davam um bom dia, mas não tiravam os olhos da tela do computador. Ele sentava na sua cadeira e iniciava sua jornada.

O rapaz tinha amigos em todos os lugares do mundo. Amigos virtuais, entende? São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá, Minas Gerais e assim vai. Ele gostava de muitas pessoas, sorria com as histórias delas, era tudo muito legal, pois não havia realmente uma troca de confidências e intimidade. Ao fim do dia, ele se despedia de todos, desligava o computador e se preparava para voltar. As pessoas do trabalho davam boa noite, mas não tiravam os olhos dos celulares. Ele apenas acenava na esperança de que alguém acenasse de volta. Ninguém fazia isso. Colocava novamente os fones de ouvido e escolhia mais uma música triste.

Ele não tinha amor, ninguém o esperava na volta de casa, ninguém o compreendia. De repente, as coisas mudaram, talvez as pessoas tivessem ficado loucas. Ele só queria atenção de alguém, mas ninguém correspondia. Sim, todos estavam desesperadamentes ligados ao mundo tecnológico e esqueciam de quem era real, de quem estava precisando de uma palavra de conforto. Ele também fazia uso de toda aquela tecnologia absurda que vinha ganhando força, ele também era melhor amigo da máquina, mas meu caro, a tecnologia ainda não podia fazer com que ele sentisse o ser humano e trocasse emoções. Ele precisava de abraços, carinho e uma boa conversa, mas tudo tinha virado tão virtual.