segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Diversos lugares.

Ando por diversos lugares e tento não me encantar com qualquer sorriso. Às vezes, tento disfarçar a timidez de um primeiro encontro, mas quase nunca encontro alguém. É que em cada canto, tento buscar soluções pra minha carência afetiva, carência que me destrói até os dedos dos pés. É tão difícil ir aos lugares e tentar buscar soluções nas pessoas. De vez em quando, só quero alguém pra me divertir e tirar sarro da cara daquele alguém, mas, quase sempre as pessoas que tiram sarro da minha cara. Tento não demonstrar desespero, mas minhas atitudes são desesperadas já que desejo tanto ter alguém. E desejar alguém não significa que eu ame, mas só desejo naquela hora, naquele momento. Tem dias e dias, há dias que só quero apenas um beijo e um abraço. Tem dias que quero bilhetes com pedido de namoro. Tem dias que eu quero apenas corpo com corpo, entende? 

Quem sabe, talvez, eu encontre alguém meio desajeitado e que esteja procurando outro alguém. Não ligo onde essa pessoa me espera. Pode ser num bar, em uma avenida esquisita, na fila do cinema ou na mesa do shopping. Eu só quero ter a certeza de que alguém me espera e que de braços abertos vai me aceitar do jeito que eu sou. Não quero ter que mudar pra que essa pessoa me queira, quero apenas que ela me deseje na mesma proporção. Mas, confesso, que tenho andando por tantos lugares. Lugares bonitos e feios, becos e ruas largas, mas não consigo saber se lá no fim alguém me espera. Ultimamente tenho preguiça de andar até o fim dos lugares, por isso, dou meia volta. É tão fácil voltar, não quero ter que ir até o fim e quebrar minha cara, meu coração não tem mais condições.

Pedaços do meu coração partido são deixados no meio do chão e tenho preguiça de colar pedaço por pedaço. Só quero saber se você me espera e se você realmente quer consertar o meu coração. Acho que com um beijo, um abraço e um cafuné, meu coração já volte a ser o que era antes. Vou adorar se você quiser ficar. Mas, tenho preguiça das pessoas e de ter que forçar romance. Gosto de romance que brota do nada e que não é tão difícil, gosto de romance que acontece naturalmente. Espero que você também goste de romance assim, pois tenho estado com preguiça de andar até o fim pra saber se alguém me espera. Vem me encontrar e fica!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Nós gostamos do que criamos.

Estive apaixonada durante anos por um rapaz. Ele era tudo que eu queria em alguém. Não enxerguei defeitos e nem mesmo quão errado seria nós dois. Gostei tanto dele que esqueci de gostar de mim. Fiz loucuras de amor, ceguei. Escrevi textos, fiz músicas, coloquei poemas na porta da casa dele, guardei fotografias dele sorrindo só pra lembrar que era daquele sorriso que eu precisava. Escrevi uma carta e quis entregar, mas ainda bem que não entreguei. Fiquei detonada e humilhada de tanto amor, não entendia como alguém poderia chegar e me deixar arriada daquele jeito. Só havia um grande problema, ele não gostava de mim.

Sempre me olhei no espelho querendo saber o que eu tinha de errado. Procurei em outros rapazes o amor que não tive dele. Certo dia, conversamos e eu disse tudo aquilo que estava preso dentro do meu coração. Surtei de uma forma surreal e eu sabia que ele também estava com medo. Falei que eu o amava tanto que não tinha forças, que eu queria ele e que por ele, eu arriscaria tudo. Ele, com aquele jeito apaixonante, com aquele sorriso bobo, me disse algo: 'Como você pode gostar de mim? Nós não temos nada. Ninguém gosta do que não tem.' Chorei por dias, as palavras dele feriram a minha alma e me fez pensar que eu realmente tinha vindo com defeito de fábrica, mas a minha maturidade era pouca e agora percebo que aquela foi a maior verdade que já escutei.

A gente gosta do que a gente cria, do que a gente imagina do outro. Não existe amor se não há reciprocidade. Não existe amizade se não há confiança. Não existe sexo se não há desejo. Eu gostei dele porque imaginei uma pessoa, desenhei ele dentro da minha mente e fiz com que ele fosse alguém sem problemas. Esqueci que ele era um ser humano e que criei expectativas por alguém que nem sabia da minha existência. Pude perceber que a gente gosta do que é bom pra gente. Mas, quanto vale o amor que demonstramos pelo outro?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um tal de Felipe.

Felipe, estou te escrevendo apenas para falar da minha indignação. Não acho justo que você tenha um nome tão lindo e que me passe segurança. Não acho justo que você tenha o sorriso mais belo que faz os meus dias bem mais bonitos. Não acho justo você ser tão bonito e tão incrível, perto de ti me sinto como uma boneca quebrada do fundo da prateleira. Não acho justo você ter o melhor cheiro do mundo. Mas, sabe o que eu não acho mais justo ainda? Você não gostar de mim.

Uma das coisas mais difíceis que a vida tem me ensinado é que algumas pessoas simplesmente não vão gostar da gente. E sabe o que mais me dói? Eu não posso mudar o que o destino quer. Se eu me enfeitar toda, você vai continuar não gostando de mim. Eu posso, se você quiser, ir buscar uma estrela no céu, mas mesmo que eu faça isso, não vai nascer um sentimento dentro de ti. Acho que eu posso fazer tudo só pra tentar te fazer mudar de opinião e mostrar que sou uma boa moça, mas se não houver sentimento dentro do teu coração, vou morrer tentando algo improvável. Sentimentos acontecem. As pessoas se encaixam, se olham, se desejam e se querem. Há reciprocidade. O que não é o nosso caso.
E eu vou me perguntando o que me resta fazer. Vou tentando achar alguma fórmula pra te fazer me olhar de volta da mesma maneira que te olho. Vou tentando apagar o teu sorriso da minha memória, mas quando fecho os olhos penso nele. Vou tentando procurar outros nomes, outras pessoas, outros significados, mas o seu nome ainda é o meu favorito. E talvez eu te leve para sempre no meu coração, mas eu não acho justo que isso aconteça comigo. Mereço alguém que ache o meu nome bonito e que o meu sorriso faça sentido, alguém que não me enxergue de uma maneira errada e de alguém que goste até das minhas imperfeições. Olha, Felipe, eu sei que amor não brota e que não há segredos pra conquistar alguém, mas eu quero que você saiba que te deixar de lado e desapegar são as coisas mais inteligentes que farei na vida. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O que a vida tem me ensinado.

Gosto de ser como eu sou. E, às vezes, me odeio por ser completamente sonhadora. Eu sei que muitos não me conhecem, sei também que para alguns sou apenas o que deixo transparecer. Mas, gosto mesmo das pessoas que me enxergam de uma maneira que quase ninguém enxerga. Gosto mesmo das pessoas que me surpreendem ao dizerem coisas que nem mesmo eu percebo. Gosto de quem elogia meu sorriso e diz que tenho um bom coração. Sim, eu tenho um bom coração. Só que de vez em quando sinto vontade de ser ruim, de querer fazer maldade, mas logo percebo que não sou alguém assim. Fico triste com a infelicidade do outro, perco o sono quando percebo que alguém está indo por um caminho errado e gosto mesmo de ajudar. Queria ter muito dinheiro e criar um espaço onde eu pudesse ajudar crianças abandonadas, vítimas das dores da vida, pessoas que já perderam a fé e pessoas que nem sabem o que é ter fé em algo. Mas, a vida vai me surpreendendo e percebo que não preciso de muito dinheiro. Não precisa ter muito dinheiro pra se ter um coração bom.

Tem gente que gosta de ser egoísta, tem necessidade de humilhar o próximo e de querer as coisas sempre pra si mesmo. Eu não sou assim, tenho consciência disso. Tenho erros. Defeitos feios. Mas, eu gosto de refletir sempre alegria. Tenho meus momentos de solidão e dói bastante saber que algumas coisas não chegaram pra mim. Só que tenho aprendido que tudo que passamos é um aprendizado e quando não podemos carregar nossas dores, a gente compartilha com os outros. Mas, só devemos compartilhar algo com quem realmente quer nos ajudar. Tenho muitos desejos. Quero fotografar as mudanças de estações, os metrôs vazios, o crescimento dos meus filhos e o amor da minha vida. Talvez, o amor da minha vida nem seja da maneira que eu sonho, mas o que custa sonhar?

Acho importante a gente querer ser sempre alguém melhor. Carregar dentro de si alegria e renovação. O sol, todos os dias aparece pra clarear a nossa vida e no fim da tarde ele se vai. A gente não percebe, mas a cada dia que ele vem e vai, é mais uma chance de recomeçar de uma maneira diferente. Sei que tem dias que acordamos com a pá virada, mas o que custa de vez em quando parar pra pensar na beleza da simplicidade? Ultimamente tenho desejado apenas uma rede, um bom livro e silêncio. Silêncio pra ouvir tudo o que Deus tem pra me dizer, mas que muitas vezes, pela correria da vida e pelo barulho das pessoas, eu acabo esquecendo de ouvir. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Adesivos e pessoas.

Desde criança gosto de adesivos. Adesivos de caderno, agenda ou de qualquer outro lugar, não importa. Mas, sempre tive um grande problemas com eles. As pessoas me pediam e eu não conseguia retirar do meu caderno e entregá-los. Eu não ia usar, mas também não queria que eles saíssem do meu caderno. Por este motivo, nunca dei adesivos. Guardo eles até hoje e juro que não uso nenhum. Alguns estão velhos, saindo do papel, mas continuam comigo. Qual a moral da história? Percebi que sou assim com as pessoas. Não consigo aceitar que algumas precisam ir. Não sei aceitar que algumas pessoas não me completam. Não gosto de ter que desapegar. Desapegar dói. A gente já tá tão acostumado com aquela vida, com aquela pessoa, com aquele sorriso e de repente, tudo se vai? Como entender e aceitar?

É como dizem: muitos vão entrar na sua vida, mas poucos restarão. E a gente conta nos dedos quem realmente vai ficar. De vez em quando, as pessoas que entram, não permanecem e precisam partir. Mas, dói. Deve ser por isso que prefiro os adesivos, eles não podem fugir de mim já que não compartilho eles, mesmo que eles não tenham utilidade, eu sei que eles estarão sempre alí e é bom saber disso. As pessoas não, se elas partem, se um relacionamento acaba, não tem como esperar que aquele alguém esteja sempre ali nos esperando. Todo mundo que passa, passa por algum motivo e a gente sente quem realmente não vai ficar. A gente sente no fundo do nosso coração quem precisa ir. Se aquela pessoa passou e não permaneceu é porque você precisava dela naquele momento. Precisava daquele sorriso que ela te arrancou ou daquele abraço apertado nos piores dias. Precisava das ligações no meio da noite e do desejo desesperador batendo no coração. Precisava de tudo aquilo que foi vivido. Mas, é tão importante a gente deixar passar. 

Os adesivos também precisam passar. Não posso deixar guardado dentro de uma caixa algo que não me serve. É preciso esvaziar a caixa e deixar que as outras coisas cheguem para preencher o vazio que ficou. Devemos fazer isso com alguém. Adianta manter preso alguém dentro do nosso coração se a gente sabe que aquela pessoa precisa ir? É preciso esvaziar todo aquele sentimento e se desprender. Vai doer e vai causar fortes emoções, mas não se pode ficar agarrado em algo que não nos serve mais. Adesivos são como pessoas, alguns permanecem grudados conosco, mas outros seguem adiante.